• Marcio Costa

A advocacia home office e o "Doutor, onde fica o seu escritório?"

Atualizado: Fev 3


Ano passado publiquei um texto com o título exatamente igual a este. A ideia principal era compartilhar algumas experiências de quem estava começando a advogar sem muito estrutura (sim, comecei a advogar no final de 2017, antes era um sociólogo/antropólogo cheio de teorias e sonhos, além de um escritor com livros na gaveta, mas sem coragem de os publicar, pois, segundo eu mesmo, não estariam prontos).


Após esse tempinho não tão longo, já não advogo mais home office, mas sou sócio de um escritório que me possibilita trabalhar a distância e nem preciso ir ao espaço físico, caso não queira. Utilizo basicamente o espaço para atendimentos e para reuniões. Em demandas mais específicas, costumo me concentrar melhor num local destinado ao trabalho, isso também me faz ir ao escritório.


Aí você me pergunta, qual a finalidade do post então, se nem home office advogo mais? Sem mania de perguntar a finalidade de tudo, mas querendo que você leia isto até o final, gostaria de atualizar algumas informações e dá algumas dicas para você, que quer advogar fora das amarras de um espaço físico.


O texto começava assim:

“Atuar na advocacia home office é algo que tem se tornado comum, muito em virtude dos custos inicias quase inexistentes. Afinal, quase todo mundo tem um smartphone ou notebook, existe uma série de aplicativos que facilitam a redação de documentos e edição de fotos, assim como alguns sites de demandas que aproximam os clientes dos que possuem poucos ou nenhum contato profissional”.

Basicamente isto é o mais tentador.


Comecei com um computador que comprei na OLX por R$ 600,00 com um processador que me lembra os tempos do início da internet (pela velocidade com que funcionava). Após alguns meses, um amigo me deu a ideia de trocar o HD comum, por um SSD, que basicamente tem a mesma funcionalidade e funciona 10 vezes mais rápido (não é mentira, meu computador levava mais de um minuto para ligar, com esse HD novo, esse tempo caiu para incríveis 10 segundos, sem dizer de outros ganhos relacionados a velocidade da produção de documentos).


Já tinha um smartphone de qualidade intermediária, onde instalei todos os aplicativos possíveis que pudessem me ajudar a advogar (agenda, scanners, conversores de PDFs, etc). Isso pode ser tema de outro texto, futuramente. E comprei uma impressora multifuncional, que basicamente me serviu para imprimir modelos de procurações genéricas e requerimentos de acesso a inquéritos (isso mesmo, algumas delegacias exigem esse documento, o que contradiz a lei, mas para evitar atritos e dores de cabeça, sempre tinha um comigo pronto para ser preenchido).


Com meu notebook e esses modelos na mochila, iniciei na “saturada” advocacia brasileira, mais conhecida como a advocacia um em um milhão, pois, pasmem, já temos mais de um milhão de advogados e certamente em 2030 teremos uns 3 milhões. Com pouco tempo, percebi que esse discurso não faz muito sentido quando você opta por buscar caminhos não tradicionais.


Outro trecho, sobre meu contato com o público à época:

“Contudo, é fácil perceber logo nos primeiros atendimentos que o público não internalizou ainda a ideia. Grande parte das pessoas quer saber do endereço do escritório do advogado, como se por tê-lo, existisse mais credibilidade, mais confiabilidade e mesmo status.

A solução para tal, pelo menos para mim, foi alugar uma sala apenas para a reunião com o cliente ou pedir emprestado o escritório de um amigo, caso exista a disponibilidade.

Para clientes mais abertos à ideia do atendimento fora do escritório, marco reuniões em restaurantes e cafés, algo que vejo com potencial. É interessante retirar parte do ar de formalidade da conversa, quando possível”.


De fato, o público, percebo isso onde atuo (Rio Branco, Acre e região), é muito renitente em saber a localidade física onde o advogado faz atendimento. O endereço do escritório ainda pesa muito no sentido de dar credibilidade a atuação do profissional, o que é algo completamente injustificável, principalmente me tempos de informações disponíveis em tempo real, quando se pode saber quem é quem em poucos minutos.


Como antes havia dito, utilizei coworkings e cafés para atender clientes de uma maneira geral e alugava uma sala em um espaço conhecido na cidade, quando a ocasião exigia mais formalidade. Quando se tem mobilidade, a simplicidade e o improviso podem ser boas qualidades para um advogado.


No finalzinho do texto eu filosofo, como sempre.


Creio que a ideia do home office, mais que encarar o desafio de não ter o escritório físico e tudo que o acompanha, é partir para a resolução dos problemas com criatividade e mente aberta.


A simplicidade e objetividade no atendimento e demandas dos clientes é um passo seguro para consolidar sua identidade no tempo, caso esse seja seu objetivo.

Você que atua home office tem algum exemplo de problema que foi resolvido com criatividade e simplicidade? Compartilhe.

Ter objetividade, rapidez e simplicidade, não se engane, é a forma mais inteligente de lidar com a complexidade. Como dizia Da Vinci, a simplicidade é o último grau de sofisticação, e para Khalil Gibran, ela é o último grau da sabedoria. Portanto, seja objetivo e simples.

Troque uma ideia comigo, compartilhe esse texto se te ajudou e me acompanhe nos espaços onde escrevo. O convite está feito.


Jusbrasil: https://marciobcosta.jusbrasil.com.br

Site pessoal: https://www.marciocosta.adv.br

LinkedIn: https://www.linkedin.com/in/mbcosta84/

Fonte da mídia: https://pixabay.com/pt/

24 visualizações

©2020 criado e mantido por Márcio Costa.