• Marcio Costa

Humano, demasiado humano.




Alguma parte de mim despertou entendendo a necessidade de ser generoso consigo mesmo e, entrever nessa condição, um detalhe mais profundo para ser generoso com os outros, e, quem sabe, amá-los. A generosidade de entender a imperfeição como nossa condição, no mesmo sentido de perceber o amor próprio como o amor mais urgente.


Ninguém é capaz de amar o mundo inteiro, para ser bem sincero. Assim como tal satisfação em fazê-lo, denota apenas mais uma forma sutil de nosso egoísmo. Mas a nós próprios podemos tentar amar cada parte, mesmo sabendo que existe parte de nós que não é digna de amor.


O sentimento de urgência de amor a si mesmo é o mais perto que estamos de salvar a humanidade. Pela urgência enquanto espécie, que fatalmente um dia desaparecerá ou pela urgência enquanto consciência limitada pela sua mortalidade. Fatalmente, ambas, se apresentam a nós em cada esquina.


A mais ampla, visualiza-se em cada ato de destruição e desrespeito ao mundo natural e a qualquer ser vivo, que precisa de um generoso e perfeito equilíbrio para sobreviver. A que mais tira o sono de qualquer um, a noção de que vamos morrer, surge a cada movimento perfeito do relógio, a vida não para de passar.


Estamos aqui e sozinhos com esses dois destinos. A tecnologia nos limita a enxergar o caminho escuro onde pisamos. Temos a ilusão de uma existência perfeita e projetamos em cada novo elemento uma parte de nós. Até que se chega ao ponto que não existe um eu perfeitamente original. Passamos a fazer parte de uma legião de artificialidade, por si mesma, sempre disposta a perecer.


Priorizar a urgência desse amor é a maneira mais plena de entender parte da existência. É impossível amar alguém sem se amar antes de tudo. Ser generoso com nossa condição pode ser o que podemos fazer para começar a “salvar o mundo”, mesmo que num sentido metafórico.


Enxergar a plenitude desse detalhe é o que mais importa no momento. Todos os dias tenho a percepção de que luto uma pequena batalha pela minha sanidade. Eu perco essa guerra em mínimos momentos, nos mais fúteis detalhes, quando escolho amar o outro antes de mim.


A dor não pode limitar quem ama a si mesmo. Eu, antes de qualquer pessoa, preciso criar essa narrativa na minha vida, me desfazer de crenças perversas que um dia foram construídas. Aprende-se fatalmente tarde, mas não ainda a ponto de se ter, em qualquer lugar de sua linha do tempo, a felicidade de gozar a generosidade desse amor.


Sempre estaremos sozinhos em algum momento, nem que seja no último. Seria lamentável não descobrir uma plenitude no meio do caos.

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