• Marcio Costa

Nosso home office obrigatório

Por falar nisso, como vai o seu?



Há dois anos publiquei dois textos sobre a advocacia e o home office, e, à época, não tinha como suspeitar que boa parte de nós teria que acolher, sem possibilidade de escolhas, um home office obrigatório.

Por falar nisso, como vai seu home office obrigatório?

O meu vai bem, apesar que ter um escritório físico, que atualmente me demanda gastos pontuais de energia elétrica e internet, acomodei-me à ideia de trabalhar em casa. Às vezes penso muito no assunto e analiso sob o prisma da produtividade, para, num momento seguinte, perceber o quanto tudo melhorou nesse sentido.


Já faz um tempinho que vejo que nos tornamos escravos dessa ideia de produtividade. Fazer o máximo, no menor tempo, em prejuízo de tudo que existe em sua vida. A ponto de isso ser tão internalizado que se tornou normal. Tão normal que nos violenta a ideia de um dia de folga, de maratonar uma série, ler um bom livro e tirar os finais de tarde para caminhar.


Depois que comecei o home office, e, mais especialmente após o início de nossas limitações de aglomeração social, minha produtividade trabalha em outro ritmo.


Gosto de acordar cedo, fazer um café e organizar e iniciar o dia. 4:00 da manhã e já perambulo pela casa nos meus afazeres. Quando iniciaria um dia de trabalho comum, lá pelas 8:00, já tenho terminado boa parte dele e tenho tempo para outras coisas.


Perguntado sobre a “tortura” de acordar cedo, relato que é meu ritmo, gosto de ver o dia nascer, a manhã surgir com seus sons e pessoas caminhando sob minha janela. Faz sentido perceber o sol despontando, com seus raios dominantes atingindo tudo como perfeitas flechas de luz.


Ao findar do dia, quando termino alguma atividade física, percebo que meu dia foi tão produtivo que não perderia em nada para o dia de uma pessoa que se tortura de verdade para fazer o máximo no menor tempo ou alguém que precisasse passar a noite a elaborar relatórios maçantes.


No fim desse dia posso ler um livro, às vezes escrevo poemas, tento terminar aquele romance mais uma vez. Meu desafio atual é ler todos os livros das memórias de Pedro Nava, que, ao que parece, vai demandar muitos dias ainda. Quando não, jogo xadrez online com amigos virtuais, tomando uma cerveja para relembrar os tempos em que podíamos nos dar ao luxo das aglomerações.


Para pensar o tema de nossa busca por produtividade a todo custo, indico o livro do Byung-Chul Han, professor de filosofia e estudos culturais da Universidade de Berlim, “Sociedade do cansaço”. Nas palavras de Elton Corbanezi, “é um livro curto – numa época de velocidade e esgotamento, trata-se de uma forma precisa de transmitir para o público leitor o aspecto tenebroso da valorização de indivíduos inquietos e hiperativos que se arrastam no cotidiano produtivo realizando múltiplas tarefas”.


Mas longe de pensar que não existe mais trabalho externo, é impossível advogar sem sair de casa, mesmo em tempos de pandemia, tendo todos os cuidados possíveis, segundo as normativas da OMS. Ainda existem presídios para visitar, viagens a se fazer e compromissos a cumprir.


Contudo, eu e você, caso tenha o privilégio do home office, somos apenas alguns em um universo de muitos brasileiros. Apenas 11,7% da população tem condições de trabalhar assim, segundo dados do IPEA em setembro de 2020. Logo, estamos numa condição especial.


A maioria da população desse imenso Brasil precisa levantar cedo para pegar um ônibus ou metrô, seguindo viagem em espaços apertados, correndo o risco real de contaminação para ter dinheiro no final do mês, sob pena de não ter como alimentar os filhos.


Sou pessimista em relação a pandemia, creio que, mesmo com a lenta e cada vez mais lenta vacinação, teremos mais longos um ou dois anos, entre atividades práticas e efetivas e politizações do tema, fazendo sofrer quem mais importa, o trabalhador brasileiro.


Por isso mesmo, aproveite o seu homem office, procure criar seu próprio ritmo de produtividade e metas de compensação que fazem sentido neste momento.

Minha nova forma de pensar o trabalho me deu o luxo de refazer algumas leituras dos clássicos da literatura, deu-me mais tempo para escrever sobre coisas que gosto e pensar mais na vida, que é dura, mas é apenas uma e se esgota a cada segundo.


Por falar nisso, como vai seu home office obrigatório?


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