• Marcio Costa

Sobre viver a própria vida num mundo em fuga: as motivações para o fracasso ou sucesso profissional

Atualizado: Fev 3




Hoje, mais que em qualquer outra época, queremos viver nossa própria vida. Longe de definir o que seria viver essa possibilidade, que vai além de uma liberdade plena, assim como restringe-se, de um modo muito específico, a viver como os outros vivem, pois assim se viveria uma dinâmica coletiva.


Digo dessa possibilidade, mesmo que filosoficamente, nos termos de Ulrich Beck, quando da escrita de “Viver a própria vida num mundo em fuga: individualização, globalização e política”. E o texto de Beck desperta essa reflexão, pois ao passo que nos ilude com uma possibilidade de liberdade, numa dinâmica social de densa complexidade, nos poda, já que nos apresenta que nossa esperança de individualização é uma falácia.


Numa época de egos exaltados, a vontade de viver a própria vida é uma marca. É moderno o sujeito, o profissional, que tem o controle de sua vida, mas que isso, é invejável, mesmo que à base de todo o aparato medicinal que a ciência nos possibilitou, como os que vivem à base de ansiolíticos.


As mais importantes motivações são postas em jogo: dinheiro, poder, amor, família, trabalho. Viver a própria vida parece prescindir de uma justificativa que anularia o próprio ato de liberdade, já que viver de tal modo seria uma característica do sujeito de conhecimento de nossa era.


Nesse sentido, para não transformar esse texto num embate acadêmico, nem entregá-lo aos que ensejam buscar motivações mais densas, a relação entre viver a própria vida e o trabalho pode fazer sentido quando desse link se pode entender onde podemos nos encontrar enquanto pessoas ou profissionais.


A questão ganhou uma relevância para Beck que ele decidiu trazer à luz alguns pontos que podem ensejar respostas.

E nas palavras do autor: “o que leva as pessoas a buscarem as estrelas em sua vida? ” Porque se tem uma nova direção que tolhe os indivíduos, mas que faz muito sentido num nível estrutural? Porque esse grande número de pessoas como que num lapso, apontaram um zelo, um temor, uma espécie de entusiasmo, uma esperteza e determinação e hoje, aguerridos, buscam viver as próprias vidas?

Particularmente, receio se é difícil responder sem entrar numa complexidade que nos levaria aos mais densos labirintos.


Para Beck, a resposta é simples numa primeira vista, e a temos dentro de nós mesmos. O sucesso profissional, familiar, pende de nossa disposição individual, para ser simplista. Ele é produto de nossa fome por experiências, de nossa dificuldade de obedecer a ordens inúteis, de adequar-se à rigidez de sistemas postos, de fazer concessões em vão, por meio de sacrifícios sem significado.


Ao que parece no direito e na advocacia, existem caminhos tortuosos a seguir, mas que parte dos indivíduos, que aqui julgo seres de coragem, tem procurado as estrelas. Em meio a um cenário de severas previsões, podemos pontuar atos de coragem, que em si são atos de esperança contra o desaparecimento.


A tese de Beck, aqui enunciada minimamente, nos serve de alerta para um embate inegável que tem ocorrido. Às vezes é você contra o mundo. E essa lógica, embora não possa ser explicada agora, é fruto de novas relações das quais fazemos parte. Uma nova ordem pessoal e social parece está na emergência de sublinhar tudo, carecendo de considerações mais densas para seu entendimento. Não é nosso papel aqui aprofundá-la.


Mas o objetivo deste texto, que seja mínimo, foi o de despertar para o fato de que a vida pode ser vivida neste mundo em fuga e que temos uma responsabilidade enquanto pessoas e profissionais no desenvolvimento das condições vindouras. Porém, mais que isso, temos papel ativo nessas transformações, pois a nós, pessoas ou profissionais, foi dado o direito de viver a própria vida, seja lá o que isso signifique e até onde isso pode nos levar.


Talvez em artigos futuros desenvolva as teses de Beck sobre a temática. Mas você, que vive sua própria vida num nível tal qual delineamos, deixe seu comentário. Grande abraço.


Referência.


BECK, Ulrich. Viver a própria vida num mundo em fuga: individualização, globalização e política (2004).


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Meus sinceros agradecimentos.


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